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Introdução

partes do que comi
e ruminei
e digeri
e ruminei
e digeri
e excretei

até ter energia
para enfim
dissipar
poesia

My work is now (1859) nearly finished; but as it will take me many more years to complete it, and as my health is far from strong, I have been urged to publish this abstract. I have more especially been induced to do this, as Mr. Wallace, who is now studying the natural history of the Malay Archipelago, has arrived at almost exactly the same general conclusions that I have on the origin of species. In 1858 he sent me a memoir on this subject, with a request that I would forward it to Sir Charles Lyell, who sent it to the Linnean Society, and it is published in the third volume of the Journal of that Society. Sir C. Lyell and Dr. Hooker, who both knew of my work--the latter having read my sketch of 1844--honoured me by thinking it advisable to publish, with Mr. Wallace's excellent memoir, some brief extracts from my manuscripts.

This abstract, which I now publish, must necessarily be imperfect. I cannot here give references and authorities for my several statements; and I must trust to the reader reposing some confidence in my accuracy. No doubt errors may have crept in, though I hope I have always been cautious in trusting to good authorities alone. I can here give only the general conclusions at which I have arrived, with a few facts in illustration, but which, I hope, in most cases will suffice. No one can feel more sensible than I do of the necessity of hereafter publishing in detail all the facts, with references, on which my conclusions have been grounded; and I hope in a future work to do this. For I am well aware that scarcely a single point is discussed in this volume on which facts cannot be adduced, often apparently leading to conclusions directly opposite to those at which I have arrived. A fair result can be obtained only by fully stating and balancing the facts and arguments on both sides of each question; and this is here impossible.

I much regret that want of space prevents my having the satisfaction of acknowledging the generous assistance which I have received from very many naturalists, some of them personally unknown to me. I cannot, however, let this opportunity pass without expressing my deep obligations to Dr. Hooker, who, for the last fifteen years, has aided me in every possible way by his large stores of knowledge and his excellent judgment.

In considering the origin of species, it is quite conceivable that a naturalist, reflecting on the mutual affinities of organic beings, on their embryological relations, their geographical distribution, geological succession, and other such facts, might come to the conclusion that species had not been independently created, but had descended, like varieties, from other species. Nevertheless, such a conclusion, even if well founded, would be unsatisfactory, until it could be shown how the innumerable species, inhabiting this world have been modified, so as to acquire that perfection of structure and coadaptation which justly excites our admiration. Naturalists continually refer to external conditions, such as climate, food, etc., as the only possible cause of variation. In one limited sense, as we shall hereafter see, this may be true; but it is preposterous to attribute to mere external conditions, the structure, for instance, of the woodpecker, with its feet, tail, beak, and tongue, so admirably adapted to catch insects under the bark of trees. In the case of the mistletoe, which draws its nourishment from certain trees, which has seeds that must be transported by certain birds, and which has flowers with separate sexes absolutely requiring the agency of certain insects to bring pollen from one flower to the other, it is equally preposterous to account for the structure of this parasite, with its relations to several distinct organic beings, by the effects of external conditions, or of habit, or of the volition of the plant itself.

It is, therefore, of the highest importance to gain a clear insight into the means of modification and coadaptation. At the commencement of my observations it seemed to me probable that a careful study of domesticated animals and of cultivated plants would offer the best chance of making out this obscure problem. Nor have I been disappointed; in this and in all other perplexing cases I have invariably found that our knowledge, imperfect though it be, of variation under domestication, afforded the best and safest clue. I may venture to express my conviction of the high value of such studies, although they have been very commonly neglected by naturalists.

From these considerations, I shall devote the first chapter of this abstract to variation under domestication. We shall thus see that a large amount of hereditary modification is at least possible; and, what is equally or more important, we shall see how great is the power of man in accumulating by his selection successive slight variations. I will then pass on to the variability of species in a state of nature; but I shall, unfortunately, be compelled to treat this subject far too briefly, as it can be treated properly only by giving long catalogues of facts. We shall, however, be enabled to discuss what circumstances are most favourable to variation. In the next chapter the struggle for existence among all organic beings throughout the world, which inevitably follows from the high geometrical ratio of their increase, will be considered. This is the doctrine of Malthus, applied to the whole animal and vegetable kingdoms. As many more individuals of each species are born than can possibly survive; and as, consequently, there is a frequently recurring struggle for existence, it follows that any being, if it vary however slightly in any manner profitable to itself, under the complex and sometimes varying conditions of life, will have a better chance of surviving, and thus be NATURALLY SELECTED. From the strong principle of inheritance, any selected variety will tend to propagate its new and modified form...

UM HOMEM NOS CONTOU

Poema escrito em homenagem a Oscar Niemeyer

in blog

De rabisco em rabisco
o sonho é impresso
preto num mundo em branco

as nuvens
o sorriso da criança
a mulher que se ama

emprestam curvas para o homem

Arquiteto de si, antes de obras.

UNIÃO, RUPTURA

in revista benfazeja

um Sol de inverno

um Lagarto

há nuvens
há árvores
há noites

há, sobretudo, vontade de estar - mesmo que fraco.

há, sobretudo, vontade de ser - mesmo que longe.

há a espera ansiosa da alvorada.

SOLTA

in revista benfazeja

És a pintura que rompe a tela
e os quatro lados do quadro.

o gato que rompe a tela
[da janela]
e salta
do quarto do quarto andar
arranhando o marfim
da torre que eu pintava para guardar você.

até você romper.

VERSOS SOLTOS

Publicado na miniantologia 'Sítios', da Revista Benfazeja, com poemas que dialogam com a nossa relação (com e no) espaço virtual.

in revista benfazeja

Se fecho os olhos
sua imagem
é o meu descanso de tela



Eu fui para ela
meia hora jogada
de paciência



No milionésimo de segundo
entre o despertar e o abrir de olhos
entre o call e o tuuuu
já sinto você



Antes de dormir
revejo todos os vídeos e fotos do dia
- oxalá pudesse salvar somente as boas

SÍTIO SEGURO

Publicado na miniantologia 'Sítios', da Revista Benfazeja, com poemas que dialogam com a nossa relação (com e no) espaço virtual.

in revista benfazeja

A noite baixou poluída
brancura fosca
e densa
que aumenta a resistência do ar
enquanto caminho apressado pelos corredores dessa Cidade-Estado

Partículas
pairam
meladas
- melando

Então paro
acendo um cigarro
e te mando um tweet

PLACEBO

in blog, revista benfazeja

A função da alma,
por esses tempos difíceis,
em que prazeres físicos são raros...
é extrapolar o corpo,
fugir,
falsificar sensações tão bem feitas
a ponto do corpo,
exato e lógico como ele é,
aceitá-las e produzir os tão necessários neuropeptídios
e os hormônios
que estouram a reação em cadeia
bem conhecida como alegria.

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO I

Poemas escritos ao ler o livro Mal-estar na Civilização, de Freud.

in revista benfazeja

O homem cuida do cachorro
mas, e quem cuida do homem?

Há máquinas que fazem café
café com leite
quem mantêm o café quente para o Homem.
Há máquinas que lavam roupa
louça
carpetes...
Que cozinham...

Mas, e o afeto na casa das máquinas?

O Homem obedece a ordens
de ligar, virar, programar...

Haverá o dia em que a máquina falará
deixa, amor, que hoje eu lavo
ou
fiz strogonoff para você!
ou, ainda melhor
me ajude com a louça
eu lavo, você seca e guarda.
?

Triste dia em que a solidão
inventar máquinas assim.

*

O cachorro, de uma inteligência superior
se faz de coitado
pede afagos
e deixa, enfim
o Homem ser útil.

MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO II

Poemas escritos ao ler o livro Mal-estar na Civilização, de Freud.

in revista benfazeja

Há o vinho
há peixe
e saladas com molhos importantes
e som tranquilo
de mar e de cordas e de sopros
e um sorriso sincero à minha frente.

Tudo o que eu pensava ser
inimigo da infelicidade.

Mas ela ri com eles
(principalmente com o mar).
Ri, não.
Zomba.

RÉQUIEM

in revista benfazeja

Formigas , também insones
andam cheirando espreitando
restos de doçuras pedidas
esquecidas e amanhecidas.
Restos de doçuras.

Abelhas de todos os tipos gozam do sabor
do néctar em flor
como em moças de
frescura virgem.
Gozam da água na fonte.

Pertenço ao nicho das formigas
alimentando-me
de belezas já mortas
às vezes sob a luz da lua
noutras
no breu total.

ROSA

in revista benfazeja

Quando...

...nos achamos fortalezas
impenetráveis
duros e senhores
de nossas vassalas:
as emoções...

uma borboleta amarela
atômica
pousa em nosso ombro
e semeia todo o campo
de visão.

De vez em quando mexe as anteninhas...
mas repousa
serena,
nas suas preocupações de borboleta.

E todos os muros cedem.

OLHARES ABISSAIS

in revista benfazeja

Olhos ao relento
profundo mar
e, tal qual
infestado de criaturas
abissais e amedrontadas
cegas
em fissuras e à espreita.

Olhos turvos
em que não se vê
nada disso
quando tentamos penetrá-los,
envolventes que são.

Mas meu espírito táctil percebe
mesmo estando no raso
– nas lágrimas que teima em vão verter;
que nesse oceano
há muitos monstros
cuja única defesa
é a profundeza
de si
e que suplicam companhia
pois não suportam existir.

BUDA PAGÃO

Publicado na miniantologia 'Síndromes', da Revista Benfazeja, com o título de 'Síndrome de Buda'

in revista benfazeja

Tudo é tu – nada mais é eu.

O Eu morreu
e não pela nobre causa da transcendência espiritual
ao revés
a idolatria da carne o fez se sacrificar
e nem
ao menos
floresceu no adubo
o “nós”.

SÍNDROME DE NOɹ NA ARCA

Publicado na miniantologia 'Síndromes', da Revista Benfazeja

in revista benfazeja, revista samizdat

O leve efeito etílico
começa a deixá-lo mais apaixonado
mesmo sem ter a personificação
para o seu amor.

O gole
à trinta e oito graus Celsius
lhe refresca a garganta...
Vive novamente momentos
como que escrevendo um conto:
traça um desfecho
apaga
enche o copo novamente
enquanto imagina outro.

Brinca de Deus
montando seu próprio palco
com personagens que só existem em retratos.

Ao final
deseja outras ações em dias perdidos,
porque o realizado
agora
lhe parece o mais triste dos desfechos...

Sempre soube estar designado a isso,
queria, somente, ter vivido mais...
algo mais.

SÍNDROME DE BUDA

Publicado na miniantologia 'Síndromes', da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

O capitão, num cais
vazio de si e de outros
salgado
insalubre.
– até o seu mundo onírico é solitário.

Seus homens
aos cabarés e ao rum:
nesta rara noite liberta
libertam.

Após se alimentar de alguma
volta ao único solo que lhe é firme.

Dentro da cabine
de janelas úmidas de sereno
chora por não ter alegria nem tristeza
orgulho ou desapontamento
vitória nem derrota.
Chora por não ser
não ter
e não estar
dentro de alguém.

SÍNDROME DE PIERROT

Publicado na miniantologia 'Síndromes', da Revista Benfazeja

in blog, revista benfazeja

E o que sou eu,
senão
um ice-berg
fantasiado de ilha-tropical?

AMOR E A FLOR

Publicado na miniantologia 'Início ou 2003', da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Uma flor brotou no meio de uma pedra.
Assim também nasceu o amor.

ESPECIAL

Publicado na miniantologia 'Início ou 2002', da Revista Benfazeja e selecionado entre os 100 do concurso literário TOC140 - 2012, da Fliporto.

in blog, revista benfazeja

Meus olhos são a janela
em que uma criança paralítica
vê as outras jogarem bola.

POEMA DA NEGAÇÃO

Publicado originalmente na antologia Poetas de Gaveta 2003/USP. Do terceiro caderno de poesias 'arte rupestre', também foi publicado na miniantologia 'Início ou 2002', da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Um anjo me disse: ‘– não’
Na porta do céu me disse: ‘– não’
Eu caindo para o inferno me disse: ‘– não’
Irredutivelmente: ‘– não’
Indubitavelmente: ‘– não’
Paradoxalmente me deu a mão e me disse: ‘– não’.

Me fez ficar pendurado
à beira do abismo infinito da vida negada
ouvindo suas doces palavras.

PALAVRAS ÁGRAFAS

Publicado na miniantologia 'Início ou 2003', da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Elas correm
com seu fosse o perigo
escorrem entre meus dedos...
impossíveis de serem retidas...

Moscas infernizantes
ficam a passar entre meus ouvidos
e zunindo e sumindo
incompreensíveis
– e não há como apanhá-las,
enjaulá-las na folha em branco.

SAGRADO

Escrito quando eu tinha 18 anos e são, de certa maneira, um registro dos encontros e desencontros próprios dessa idade. Publicado na miniantologia 'Início ou 2002', da Revista Benfazeja

in revista Benfazeja

Menina, depois que nos desviamos
– imagine só!
Me perdi.
Talvez como Gepetto, que
depois de ter perdido Pinóquio
fez, em troncos de carvalho
inúmeros bonecos-clones.
Mas estes, inertes...
sem coração...
sem brilho...
sem alma...

Esses bonecos são como as outras mulheres perto de ti.

DIANA (GATINHA)

Escrito quando eu tinha 18 anos e são, de certa maneira, um registro dos encontros e desencontros próprios dessa idade. Dedicado a Diana, foi publicado na miniantologia 'Início ou 2002', da Revista Benfazeja

in revista Benfazeja

A gatinha
de olhos adianados
brincava com o peixe-beta
já moribundo, no carpete.

Depois de comê-lo
espreguiçou-se e, com aqueles olhinhos
sentou-se ao lado do menino que chorava seu amigo...

Ele a perdoou.

NINGUÉM

De 2001, foi publicado na miniantologia 'Início ou 2001', da Revista Benfazeja

in revista Benfazeja

Ninguém me beijou e me abraçou
ninguém gosta de deitar no meu colo
de beber salgadinho e comer coca-cola.
Ninguém gosta de me pegar distraído
me ver fazer aquelas besteiras que a gente faz caladinho.
Ninguém gosta de me beijar à toa
me dar sustos e brincar feito leoa.
Ninguém me contou segredos de infância
me contou que ela, menina, roubava sorvete do armazém do pai,
que tinha insetos-amigos e os batizava com nomes bíblicos.
Ninguém é um emaranhado de filosofia
fútil ao meu gosto.

Ninguém gosta de mim como eu gosto
e como eu gosto de ninguém!
Ninguém se foi
mas, para ser sincero,
acho que ninguém esteve aqui de verdade.
Ninguém mora no meu coração.

...

Dedicado ao meu saudoso tio, foi publicado na miniantologia 'Início ou 2001', da Revista Benfazeja

in revista Benfazeja

Escrevo.
Escrevo igual criança:
– quero!
Quero o doce da minha mãe.
Quero a proteção do meu pai.
Quero o meu tio Teco.

Que bom que é encontrar o nosso tio Teco!
É aquele tio que conta piadas sujas,
mostra a vergonha das meninas fotografadas
vivia a pagar pé-de-moleque
sorvete
refrigerante
qualquer besteira.
Tudo antes do jantar. Tudo o que papai não dava.

O tio Teco não teve a vida comprida,
mas cumpriu com a vida
que é um graveto a descer o rio.

Um dia ele veio em casa, mas eu estava dormindo.
Agora ele está dormindo e eu tenho que ir vê-lo.
Boa noite, tio Teco.

MINHA PEQUENA SALVAÇÃO

Dedicado a minha irmã mais nova, foi publicado na miniantologia 'Início ou 2001', da Revista Benfazeja

in revista Benfazeja

Uma vez quando eu era criança – tinha uns oito anos
estava com medo e a clamei:
– Bi, tô com medo...
– Bi, o Éto tá com medo...
– BI, dá a mão que o Éto tá com medo...

Eu via em todos os cantos fantasmas e assombrações
enxergava em simples casacos homens do saco
em chapeis, bichos-papão.
Ouvia em urros do vento alguém me chamar.

Ali, em meio às cucas e Piratas de Poe
eu a via como única salvação e a clamava:
– Bi, tô com medo...
– Bi, o Éto tá com medo...
– BI, dá a mão que o Éto tá com medo...

Ela estava com o lampião na mão
com a cruz contra os diabretes;
ela é e sempre será a minha pequena salvação..

A Bi é a minha irmã mais nova.

ANA LÚCIA - "ANJO CAÍDO"

Um dos meus primeiros poemas escrito, foi publicado na miniantologia 'Início ou 2001',da Revista Benfazeja

in revista Benfazeja

Com a luz da aurora
embalada pela alvorada,
nossas faces se encontraram
na despedida não sonhada.

Quando os dias futuros se fizerem presentes,
seu gélido olhar que,
um dia acendeu o meu coração
o fará agonizar.

E eu já na penumbra da vida
imagino o dia em que,
junto ao Arcanjo
te encontrarei com auréolas
asas, arco na mão
pronta para outra campanha, outra paixão.
Descerá à Terra
e fará como a aranha negra
escravo um novo coração.

AO EXTREMO DA SACIEDADE

Da miniantologia 'Transbordado', publicada da Revista Benfazeja

in blog, revista benfazeja

Queria saber ser tanto assim
ser tanto sem fazer desse tanto
muito, demais, transbordado.
Ser copo cheio e belo copo cheio
sem ser copo cheio e derramado de tão cheio
lambuzado
imperfeito.

Ser um peixe no rio
e ser o peixe do rio que ela fisgou
e ser peixe no rio fisgado
escolhido
mas que continua no rio
abanando o rabo como cachorro feliz.

PLATÔNICOS

Da miniantologia 'Transbordado', publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Um amor simples e saciado
talvez se desate
se desgaste e vire cafés-da-manhã
que apenas em arrotos da memória
nos retornará.

Perigosos são os jejuados
insaciados.
Frutos de uns pedaços
do passado
que nunca nos
serviram.

AMOR NA FRONTEIRA DO MEDO

Da miniantologia 'Transbordado', publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Amor é a derrota do medo;
esse sinônimo de
Homem.

É a bandeira branca hasteada
nos lábios.

A espada
o escudo
a armadura
a adaga
espalhados com o vestido pelo chão do quarto
tomado.

O ECO DO PIU

Da miniantologia 'Touch em rede', novas formas de toque publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Falam, repetem repetem
ecoa

Seguem colunas
listas
fotos
onomatopéias.
- Tudo, menos gente.

Lemos o murmúrio da multidão
isso: lemos o murmúrio da multidão
que é um entulho de solidões.

Todos menos gente.

PLATONISMO E REALIDADE AUMENTADA

Da miniantologia 'Touch em rede', novas formas de toque publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Meus dedos te acariciam
e os olhos fechados
transformam o negro da pele plástica
e o frio dos LEDs
no rubro das maças
do teu resto.

Meus olhos abertos
transformam o diáfano da alma humana
e o frio dos olhos que me olham
na projeção 3D pela qual me apaixonei
via conexão 3G.

A CONTRACAPA DO FACISBOOK

Da miniantologia 'Touch em rede', novas formas de toque publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

O tumulto de faces
nos roubam dos livros.
Uma multidão
organizada sistematicamente
– páginas e páginas e mais páginas
e colunas paralelas de faces
como pelotões em um desfile hitlenista.

Rodam
ampliam
invertem
e encolhem o mundo usando as pontas dos dedos.
É o limite, o toque máximo: a ponta dos medos.

Tentam nos convencer
e se convencerem
de que são felizes, inteligentes
e de que as páginas que escrevem
– não as gravadas em bits – e sim as reais
não estão sujas e cheias de sombras e rastros e bugs.

Até conjugam verbos em terceira pessoa...
ocultando, assim, a verdadeira pessoa.

DESEJO E CASTIDADE

in blog, revista benfazeja, revista samizdat

Passo os dedos em sua boca
e a abro o lábio inferior,
como se pudesse te fazer pedir.

Passas os dedos em meus olhos
e fecha-os como em um cadáver querido,
mas não podes me fazer sonhar.

Há a demanda insatisfeita.

Há a oferta insatisfatória.

EXPULSÃO

Da miniantologia 'Nascimento e demolição', publicada da Revista Benfazeja dedicada a Albert Camus

in revista benfazeja

Não me recuperei
do trauma
de ter nascido.

VERSOS LIVRES E UM NÁUFRAGO

Da miniantologia 'Nascimento e demolição', publicada da Revista Benfazeja dedicada a Albert Camus

in revista benfazeja

Um ar aquoso
toma-me
os pulmões
e vaza pelos olhos
e nem se quer me dou conta e vou
morrendo
assim mesmo
como que a escrever um poema
ou a ser tragado pelo ar ressaqueado.

ABSURDO

Da miniantologia 'Nascimento e demolição', publicada da Revista Benfazeja dedicada a Albert Camus

in revista benfazeja

Uma pedra imóvel.

E tão absurda quanto
pedra parada,
a água escorre
pelo declive.

Um homem procura novamente o amor e novamente o amor
um homem não chora no velório da mãe
um homem fica levemente contrariado ao se transformar em uma mosca

Talvez a pedra role por si
ou a água empoce antes do lago,
pois um homem se demoliu e escreveu um poema.

VERSOS LIVRES E UMA MULHER EM QUE NÃO EXISTO

Da miniantologia 'Ela', publicada da Revista Benfazeja

in blog, revista benfazeja

Não vou culpá-la, posto que somente tem culpa aquele que age,
e pelo mesmo motivo não haverá perdão
– só se perdoa a quem erra.

Essa melancolia
também
só existe de um lado:
só um lado viveu
e só em uma cabeça fatos reais aconteceram.

Não houve dialética.

É como uma balança que só pende para um lado
ou uma ponte,
que só cai em uma margem.

Nem ao menos posso julgá-la displicente,
pois só o é quem ignora o perigo
e nunca ofereci perigo algum.

RÉPLICA

Da miniantologia 'Ela', publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Entrou pela minha boca
e foi apalpando
assim como se enxerga no escuro:
órgãos e sentimentos.

Até que se encontrou
deitada, dormindo
e sua imagem duplicada
a aterrorizou
– o terror de se saber amada.

Tentei replicar o que ela fazia ali,
mas só fiz aumentar a angústia
de ter outra vida
fora de si.

E não me deixou ficar,
dormir
em nenhum canto agora seu.

Nem mais conseguiu dormir
sabendo que em outro corpo
serena
repousava.

NOSTÁLGICO

Da miniantologia 'Ela', publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Todas as noites recebo a visita do homem
que fui
e de seus amigos e de suas mulheres.

E tento,
em vão,
reconciliação.

SIMULACROS

Da miniantologia 'Pós-biológico', publicada da Revista Benfazeja

in revista benfazeja

Bits pulsam
em minhas correntes...
...alternadas:
-sangue
-elétrons
...contínuas:
-e continuas aqui,

Bits pulsam e eu
binário
frio frio frio quente frio quente quente frio quente
0 0 0 1 0 1 1 0 1

Aprendendo o beabá da máquina
que é o ar do século XXI
é onde nossas palavras atravessam
é o que embaça nossas imagens
e é a resistência que venço até você.
Mas ele
também
retém o seu perfume...
...e é o que desmarcara o simulacro.
-que pulsa
1 1 1 1 1 1 0 1 0

VIRÁ A SER?

Da miniantologia 'Pós-biológico', publicada da Revista Benfazeja

in blog

Não sei se é bonita,
posto que, quando penso no signo 'Ela'
me vem à mente um clarão acolhedor
que fica;
depois, vai-se ofuscando
e pequenos círculos coloridos dançam nessa brancura
já insossa
até que algo real toma minha consciência
e suscita a aflição de existir.

É a folha ainda não escrita e,
assim como não há uma imagem símbolo
da essência
(única dimensão conhecida pelo poeta),
não há, também, grifos que representem
as sensações que nele se espalha.
Tudo permanece virgem.

Eu não sou o poeta, ele é que é 'eu'.
E esse ser,
vago pronome,
que joga com sua existência (on - off line)
nem sei se existe fora do eu
e deste monitor.

SONATA DA CRIAÇÃO

Feito para o espaço-escrita. O exercício era, a partir de uma imagem dada (um piano, um papel com notas-musicais escritas), escrever um texto em qualquer gênero. Escrevi com eu-lírico feminino mais uma vez, como se a mulher fosse o piano que, sem ser utilizado, não tem sentido de ser (existir) no mundo. E depois que um homem a toca, vai se criando o mundo até se desfazer novamente ao final da sonata.Da miniantologia 'Pós-biológico', publicada da Revista Benfazeja

in blog, revista benfazeja, revista samizdat

Seu caminhar não abalou o silêncio pré-genesíaco
que dormia.
Aproxima, sorri, senta-se
hálito com hálito.

Toca meu dedo anelar
e o martelo¹,
ainda tímido,
faz vibrarem meu nervos
que soam leve o bastante para embalar o primeiro sol do recém-mundo
e arrepiar-me toda, ali.

Logo taca também o segundo
e o terceiro
e as notas vão regendo as coisas e os seres e o quarto
e a mão
e me faço, enfim
– me faço não; e me fazes
enfim
ser ouvida, vencendo o vácuo e o infinito!

para um instante depois quietar,
esbaforida
– esbaforida não, esbaforidos
de tanto soar e tocar e suar.

Ainda,
antes de partir,
fecha-me a calda e acaricia
de tão leve
que apenas as pontas dos dedos me pulem e me engorduram.
E tudo volta ao pré-genesíaco
e nem ouço teus passos te afastando.

SERÁ O QUE NOS RESTARÁ

in revista benfazeja

Digo-te, meu bem, o que há.

Há um céu roxo no horizonte
e pássaros que se esquentam da noite fria
como muitas crianças miseráveis, amontoadas
(ao contrário das ricas, engaioladas).

Digo te que há motores dando partida
e muitas mulheres vendo uma ultima partida,
dizendo: “até já”.beijando e engolindo um coração...
mas logo haverá o reencontro
- seja lá em qual plano.

Digo te que há jovens derrubando velhas árvores
velhos jequitibás que monopolizam a copa da floresta
e com a madeira fazem fogueiras... tocam violão...
Mas ainda estão em suas manhãs, Apolo marcha
e os velhos costumes que derrubam é o campo em que perderam seus filhos...

Digo-te que há muitos tomando café da manhã em padarias
e isso em nada se parece com comercial de margarina
- o ato de pedir aos garçons é o mesmo que colocar ficha em máquina expressa.
Houve um acidente automobilístico. Ambulâncias. “Estragaram carros do ano”, alarmam.

Digo-te que há peões que temem a guerra.
Há reis que temem a guerra e não demonstram, não.
e há jogadores que marcam o tempo das jogadas
e sabem em quantas rodadas haverá um xeque-mate.

Digo-te que há um casal que acaba de se conhecer intimamente
mas já sabem das viagens a acampamentos, shows, filhos e infartos...
Mal sabem a felicidade que se contrasta com o azul.
Mal sabem serem dois pontos traçando a mais bela das retas,
a única beleza muito além da relatividade das coisas
pois é bela em si - um 'todo'.
Mal sabem mal saberem de tudo e se acham onipotentes
pois são apenas dos corações – um com sutil arritmia – na primeira manhã do resto de suas vidas.

HELENA FEBRIL

Deste poema também foi feito um video-poema, publicado no blog

in blog, revista benfazeja

Suava.

Seus poros emanavam
não apenas líquido
que em vão tentavam retirar
do corpo
o calor excessivo.

Fluíam também
olhares-de-sereia.

Era imprescindível amar.

A febre ansiava
barro para forjar um corpo varão
e dele
de sua costela
sair mulher.

CONCISOS iii

in revista benfazeja


Não é que eu goste de ser assim
apenas não sei ser.

Outro.


*
Tudo posso
quando Ele
não me enfraquece.


*
Você foi a fera
a quem eu concedi
minha bala-de-prata.


*
Teço
em versos
minha mortalha.

LIVROS EM COPACABANA

Homenagem a Drummond e a sua estátua em Copacabana

in blog, revista benfazeja

Eles estão voltados, triunfantes, para o concreto.
Vidrados na origem dos temores terrenos:
desejos de tudo que ocupam nosso vazio

E as costas apoiadas no fantástico,
na segura ilha em que passeiam
e onde, palavras, transcendem a lexia.

Sem dizer 'como' nem 'o que' devemos fazer,

apenas cintilam vida e assim nos confortam.

CONCISOS ii

in revista benfazeja

Não te amei.
Colecionadores amam:
– H. sapiens usam.

*
Furaste o bloqueio que eu tinha contra
flores
e, duma fresta de mim
brotaste.


*
Deixou-me
como ao maço de cigarros
em cima da mesa do oncologista.


ELEGANTES
Faço como os elefantes
quando estão tristes:
eles vão embora.

OBJETOS E APEGO

in revista benfazeja

I
A aeronave rompe,
na noite,
distâncias.

II
E a televisão
funambulesca
falseia risos.

III
O cigarro
me enche o peito
sacia
depois desfalece.
Metáfora para o amor.

IV
Resta essa guimba,
escrevendo versos secretos e
acariciando seus cabelos
com a televisão muda
e atento aos aviões e automóveis
que têm a coragem
de romper.

ORVALHINHO

in revista samizdat

És a gota
que vence
o incêndio.

e depois
queda esbaforida
na calma

sobre o meu peito.

Orvalho na folha salva.

CONCISOS

in blog

PRECE
Tudo posso
quando Ele
não me enfraquece.

...OUTRO
Não é que eu goste de ser
assim;
apenas não sei ser...

ACORDAR
Todas as noites podo minhas asas
pecaminosas
que teimam em amanhecer.

PARAFRASEANDO ALGUÉM
04/2010

Depois de ti,
hasteei bandeira branca
e pedi paz.

EFERMINDADES MEMORÁVEIS DELA

Publicado no blog com o título de 'Queimadura de Gelo'

in blog, revista samizdat

Quer, mas não muito
muito
por pouco tempo.

Breve,
ali
e pronto:
sem contatos
contágios
ou outras trocas
além da de fluidos.

Depois,
em casa,
quererá
por muito tempo
um pouco
que seja
daquilo que foi
muito e pouco.

Daquilo que se foi.

CONCISOS

in revista samizdat

ACORDAR
Todas as noites
podo minhas asas pecaminosas
que teimam em amanhecer.

AMOR VIRTUAL
São dois cegos apaixonados
– não mais a dizer.

DESATANDO-NOS
...e mais uma vez
calçaremos
as botas machadianas.

PARAFRASEANDO ALGUÉM
Depois de ti,
hasteei bandeira
branca
e pedi paz.

CAÍ

in blog

Não como um anjo
que se liberta ou
um fruto
para germinar

Nem
como um gato
sempre de pé,
um rei
derrubado
ante a eminência do mate.

Não.

Como uma folha
na primavera.

Caí como as noites
e como a geada:
natural,frio – quieto.

às vezes, a morte
nos cai feito uma luva
de boxe;
noutras
de veludo.

CASA DE PLATÃO

in revista samizdat

Na gruta seca, grito:
em direção ao feixe de luz.

Ecôo
até desfalecer no sono urbano.

Desperto
velho – sozinho
durante um infarto no miocárdio:
obstruíram minha gruta
seca.

Talvez, agora, vazia.

PECADOS DO FRUTO

in revista samizdat

Alvo e limpo como um livro só de poemas
ainda não sentidos.
Seco,
um rosto de lágrimas não vertidas
e inteiro:
um coração na virgem
mata.

É um fruto
ainda no seio.

À espera que lhe libertem de sua árvore
genealógica.

... de uma ave
que lhe dilacere,
engula e voe
para semeá-lo em outras áreas
com suas fezes vivas,
fontes de ressurreição.

... de uma ventania frenética
na têmpora
que arranque tudo,
inclusive sua prisão,
e lhe dê
descascado
ao mundo do plástico e do neon.

ao invés da inanição
de amadurecer e
apodrecer ainda no pé.

CONCISOS

in blog, revista benfazeja, revista samizdat

Bacco
Não há como aceitar
cordeiros
– não sendo um deus assim como eu.

Desfibrilador
Nas vidas em que a vida não desperta os sentidos
só resta a poesia
tentativa última de elo com o mundo exterior.

#
Se
o
mar
cabe
em
uma
concha,
por que o amar transborda do coração?

Retalho
E o que somos nós,
senão um mosaico
de lembranças
num mural de fé?

JARDIM JAPONÊS

inspirado em Hai-Kai’s e no “imagismo”, que se utilizam de símbolos para expressarem sentimentos.

in blog, revista benfazeja

Ela sentia-se só
mesmo comigo ao lado
sentado
buscando-a nos olhos
não conseguia trazê-la de volta
ao mundo que compartilhamos.
Posei minha mão sobre a sua,
nossos dedos formaram uma grade
no banco
e nem isso a libertou.
Recolhi, então,
de lado, a minha pequenez.
Pensei em sair,
deixa-la...
Permaneci.
Queria ficar sozinho também,
ali.
...
O mindinho dela buscou o meu
e ficamos,
enfim,
à sós.

O POETA ALIENADO

in blog

Tudo o que eu quero ainda não
descobri.
Sei que quero,
pois todos querem tudo,
então,
de certo,
também hei de querer
coisas e coisas
– mas elas se mantêm encobertas.
Há a ânsia
em ver o mundo se abrir
como uma mexerica
ante a força bruta dos dedos que perfuram
da crosta
até o núcleo
e, alavancando
a divide em duas para o bel-prazer da glândulas
gustativas...
queria conhecer meus vícios
meus prazeres e minhas fraquezas
cometer meus pecados de gula e luxúria
– as ganâncias a eu tenho direito
e acredito fazer jus.
Mas,
como não parece ainda ter chegado a minha hora,
passo a vida a observar,
com certa estranheza,
acrescento,
como as pessoas agem por impulso
e reagem a estímulos,
sem entender lá muita coisa...

AMOR DEPOIS DE FEITO

in blog

O amor retrocedeu
foi fechando
fechando
encolhendo..
Brochou:
voltou a ser botão.
Sem cor
Sem perfume
Sem nada.

ÍDOLO DE BARRO

Escrito para o conto homônimo, publicado nas revistas Benfazeja e Samizdat

in blog, revista samizdat

Há um cofre e não há o segredo.
O cofre está fechado.
Talvez os séculos com suas armas corrosivas o abra,
talvez.
Gostaria que, ao tocá-lo
ele abrisse
(como se a senha estivesse em algum buraco de mim)
só para desmistificá-lo
ver que não há nada insólito
que induz a idolatria.
Igual
mas não reciclável.

O que preciso é que esteja ao meu alcance,
como um Brilhante,
para ditar a hora de usá-lo
e de negá-lo.

RÉQUIEM

in blog

Esperou a estrela mais brilhante,
o último vagão celeste
para partir.
Deixou um corpo vazio
e uma lacuna em tantos
outros
onde ainda ecoam
seus cânticos de lavadeira
e de passarinho...

COMO MAR À ILHA

a Marília

in blog

Eu gosto disso,
de você,
mesmo me cercando...
o mar à ilha.
Me envolvendo
fago citando
digerindo
e devolvendo
ao corpo
o espírito
defecado que sou.
Solto, disperso em você
que dá razão ao meu ser
como o mar à ilha.

ESFORÇOS VÃOS

Poema escritos entre 2003 e 2004, editados em 2009.

in blog

Contigo não há amor,
Inconscientemente nem desamor:
Lavoura sempre a plantar
Eternamente a plantar
Nas esperanças infindas sempre a plantar
E nunca há o que colher.

FADADO

Poema escritos entre 2003 e 2004, editados em 2009.

in blog

Fadado a mal amar,
amar somente ao inverossímil,
ao irreal que se sobrepõe ao real outrora imposto.
Amar às feéricas...
esferas em um universo fictício e azul,
gasosas e reluzentes...
Enfim, amar somente sereias,
posto que,
quando o inamável morfa-se amável,
perde a essência do amar
e condensa-se amor, empedra.

ANTI-DEUS

in blog

Muitas já me reprovaram,
algumas mal olharam,
já ignoraram
como se à frente
fosse algo imaterial
- nem estátua
e nada lhe ofereceria...
Tão imaterial que nem cabia prova,
impotente, inexpressível.

Meu benzinho diz que,
graças a Deus,
elas tinham o coração cego.

AMOR FISIOLÓGICO

in blog

Há necessidades biológicas que necessitam ser satisfeitas
e isso é mútuo, benzinho...
Como nossos eixos não se alinharam,
deixemos então nossas realidades físicas se experimentarem,
permitamo-nos,
vez ou outra...
Nossas almas não ganharam o reino dos céus
pois elas não fizeram o voto de pobreza dos amantes
e ostentaram uma soberba inútil e fraca por si só,
então que nossas consciências o ganhem,
nem que seja por frações de minutos...

VIRGEM

in blog

Diz-se da mulher que ainda não teve cópula carnal.
Casto, intacto, puro.
Que ainda não serviu.
Diz-se da mata que ainda não foi explorada.
Diz-se da terra que ainda não foi cultivada.
Diz-se da vela nunca derretida.
Diz-se da cal anídrica.
Isento.
Livre.
Ingênuo.
Inocente.

“Assim o dicionário Michaelis nos descreve depois daquele tarde nublada, em que o Sol apareceu ao final, já se indo, como que sacramentando o nosso batismo, o revirgirnamento”.

BENZINHO

in blog

A falta do benzinho
deixa miserável
e triste,
'ai tristeza',
o consumidor que se consome...
que não aprendeu
ser impossível adquirir um bem-querer,
ainda mais à prestação.